Um chá com São Miguel

São Miguel é muito mais do que paisagem!

Para além das pessoas, lagoas, mar, serra, furnas e património arquitetónico, a maior ilha dos Açores tem as mais antigas plantações de chá da Europa: a Fábrica de Chá Gorreana e a Fábrica de Porto Formoso. Museus vivos onde se cultiva e se produz chá, verde e preto. Espaços que são uma lição de história que merecem ser visitados e saboreados…venha dai, acompanhe a Pintas neste passeio!

Ponta Delgada, a capital de São Miguel, é o ponto de partida para esta voltado chá. Por volta das 9.30h da manhã já estou na marginal. De mochila às costas faço um «desfile» pelo calçadão mais bonito e nostálgico de Portugal. De um lado o infinito mar azul forte do outro um jogo cromático entre a alvenaria branca e a pedra de cantaria que cobrem o centro da cidade.

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Mas Ponta Delgada fica para outro roteiro, agora tenho de apanhar um táxi (ou alugar carro) para ir até à Fábrica de Chá Gorreana, são cerca de 34km até lá. Escolhi o táxi, negociei o preço antes de partir e o simpático motorista ainda me propôs parar em alguns lugares de “vistas deslumbrantes”,que ficam em caminho. Está feito ai vai a Pintas a caminho da Ribeira Grande, mais precisamente do lugar da Maia é lá que está coração da ilha do chá!

Miradouro de Santa Iria, a paragem mais marcante. Situado bem próximo da aldeia de Porto Formoso, nos arredores da cidade de Ribeira Grande, este local é o espelho da beleza da magnífica Ilha de São Miguel, rodeada pelo vasto azul do Oceano Atlântico. Daqui aprecia-se a costa Norte já marcada pelas vastas plantações de chá.

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Poucos kms à frente o clima fica mais húmido, um cheiro particular a folhas invade-me…é o chá. Chegamos à Maia, perto da Ribeira Grande. Um edifício branco junto à estrada, com letras a vermelho forte apresenta-se junto à estrada. É a Fábrica de Chá Gorreana!

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Em frente os extensos socalcos das plantações de chá. São cerca de 42 hectares plantados que resultam na produção, em média, de 40 toneladas de chá por ano.

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Entremos agora na fábrica, a Fábrica de Chá Gorreana, a mais antiga da Europa, em contínuo funcionamento desde que foi fundada, em 1883.

A visita é feita pelas diversas secções onde é produzido o chá. Aqui produz-se sobretudo chá verde e chá preto.

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Uma lição de história centrada na revolução industrial do século XIX. Há maquinaria recente mas a maioria ainda remonta aos primórdios da laboração.

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A fábrica Gorreana também se adaptou aos tempos, além das “em folhinhas” também há saquetas.

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No final da visita os turistas podem experimentar os chás produzidos na Gorreana. A visita é grátis.

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A meia dúzia de km de distância da fábrica de chá Gorreana está a fábrica de Porto Formoso. Um espaço que para além de produzir chá preto procura preservar as memórias do fabrico do chá desde que chegou às ilhas açorianas, no século XIX. Trata-se do espaço museológico, onde fazem visitas guiadas a qualquer hora do dia, dentro do horário de funcionamento. De seguida, os visitantes são convidados a provar os chás numa sala que é uma reconstituição de uma cozinha típica micaelense, ou então na esplanada com uma vista magnífica sobre as plantações de chá e a vila de Porto Formoso. Todos os anos, na primavera, aqui se recria apanha do chá com trajes típicos da moda antiga. A Fábrica de chá Porto Formoso, fundada por Amâncio Machado Faria e Maia, laborou entre os anos 20 e 80 do século XX. Em 1998 os atuais proprietários iniciaram as obras de recuperação da fábrica que é agora Património Industrial da Região.

Cha Porto formoso

No regresso passe pelo restaurante da Associação Agrícola de São Miguel , em Rabo de Peixe, para almoçar ou jantar e perceba porque é que a melhor carne só pode dar o melhor bife. 

Boa viagem, boa vida!

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