“O Homem que virou do avesso o Romance de Viagens”

IMG_20150125_161533_edit_editEm pequeno, Bruce Chatwin engoliu um planisfério. Não na acepção literal, claro, mas quase.

No seu mapa genético está desenhada uma longa linhagem de antepassados marinheiros britânicos, que lhe terá inoculado nas veias uma intrépida vontade de explorar cada canto do Planeta Terra. O resultado foi uma vida dedicada às viagens e à escrita, não necessariamente por esta ordem.

O mítico Bruce Chatwin, o egocêntrico e excêntrico Bruce Chatwin, foi um dos frutos de uma feliz árvore genealógica de excelsos viajantes, como T.E. Lawrence ou Gertrude Bell, ímpares no domínio da escrita que abraça as viagens e que, para nossa alegria, legaram ao mundo algumas das suas mais sublimes narrativas.

Bruce Chatwin foi perito em impressionismo na prestigiada leiloeira britânica Sotheby’sestudou arqueologia na Universidade de Edimburgo, abandonou o curso por ser demasiado enfadonho e foi contratado como consultor de arte e arquitetura pela Sunday Times Magazine.

E aqui começam as primeiras andanças pelo mundo a descobrir novos locais e a escrever e a conhecer novas pessoas e a escrever. Em meados dos anos 1970, chega às remotas regiões da Patagónia e Terra do Fogo, na América do Sul, e por lá se deixou ficar mais de 6 meses, numa viagem épica comovente, na qual percorre toda a região e descobre que o fim do mundo afinal não existe; recomeça sempre a cada nova aventura. E o que é maravilhoso, ainda volta para nos contar.  patagonia

«Na Patagónia» nasce a partir dessa terra de foragidos e exilados da vida e lançou-o como reputado escritor de viagens, criador de um estilo muito peculiar de ficcionalização da realidade. Chatwin não é um repórter e nós sabemos disso.

Quando pegamos em «Na Patagónia» ou no «O Canto Nómada» lemos embevecidos e intrigados as prodigiosas descrições e relatos sobre o espírito da terra, pequenas histórias de grandes personagens, mitos, conversas que lhe vão atrasando o passo, e sabemos que pouco daquilo aconteceu ou existe verdadeiramente, o que não nos impede de sonhar com uma viagem a Alice Springs, na Austrália, ou a Ushuaia, cidade ao sul do sul, do continente americano. «Uma história não tem que ser verdadeira, tem apenas que ser boa», comentava ele. Mentiroso genial, defendo eu.

Rita Martins

3 thoughts on ““O Homem que virou do avesso o Romance de Viagens”

  • 25/06/2015 at 5:22
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